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sábado, 22 de junho de 2013

A TRAGÉDIA GREGA - UMA PUNIÇÃO COLETIVA

Este resumo de um Capítulo do livro The Body Economic: Why austerity kills, de Stuckler e Basu (2013), trata da crise política e financeira que ocorreu na Grécia entre os anos de 2001 e 2012 e seu impacto na saúde pública, com o aumento da taxa de suicídio em 20%, entre 2007 e 2009.
A entrada da Grécia na União Européia em 2001 não ocorreu sem custos. Nos cinco anos após, a Grécia viveu um período de bonança de construção. O Fundo Europeu colocou ali $ 24 bilhões de euros em projetos de infraestrutura, incluindo os gastos com as Olimpíadas de 2004. Em junho de 2006 o PIB era de 7,6%.
Mas isto era o que se vendia. A economia grega estava em crise. Gastos intensos, incluindo uma corrupção enorme,  e arrecadação diminuída. Com a crise dos Estados Unidos em 2008 a Grécia entrou em choque. A troika (FMI, A Comissão Européia e o Banco Europeu) em troca de um financiamento para sustentar a crise provocada pelos próprios bancos franceses e alemães deu uma receita drástica de austeridade.
Corte de salários, demissões e corte de pensões, corte nos programas sociais, principalmente no sistema de saúde.
O resultado: os cidadãos sem moradia aumentaram 25% de 2009 a 2011; os homicídios duplicaram de 2010 a 2011; desemprego subiu de 7% em 2008 para 17% em 2011; desemprego entre jovens subiu de 19% para 40%; aumento da demanda de assistência medica nos serviços públicos em 25%; corte nos gastos públicos com medicamentos e procedimentos médicos; aumento dos casos de HIV por corte na oferta de seringas para os usuários de drogas intravenosas; reaparecimento da malária pelos cortes nos programas de prevenção; aumento de 40% na taxa de mortalidade infantil.
Esta foi a receita dos Bancos da França e da Alemanha para resolver a crise da Grécia que eles mesmo financiaram.
Entre 2009 e 2012 a cidade de Atenas cortou em 3 bilhões de euros seu orçamento para a saúde.
Entre os cidadãos que mais se suicidaram foram os idosos que tiveram suas pensões cortadas. Os números de mortes por causas não determinadas é alto. Certamente muitos suicídios foram subnotificados porque a Igreja Ortodoxa Grega não faz os funerais dos que se suicidam, e para salvar a honra das famílias.
Estudos como este, levados a sério são muito importantes para que sejam considerados nos momentos de crises e sua relação com os sistemas de saúde.
Sabe-se que investimentos em saúde levam a novos empregos (médicos, enfermeiros, técnicos) e o desenvolvimento tecnológico (pesquisa laboratorial e inovação) produz um estímulo muito mais profundo na economia que qualquer outro gasto governamental.


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