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sábado, 7 de setembro de 2013

PUBLICAÇÃO: DIA MUNDIAL DA PREVENÇÃO DO SUICÍDIO – NO CAMINHO DE HANNAH ARENDT E EDGARD MORIN

Devo iniciar este artigo sobre o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio com um parágrafo da célebre obra de Hannah Arendt, A Condição Humana editada em 1958: “Todas as atividades humanas são condicionadas pelo fato de que os homens vivem juntos, mas a ação é a única que não pode ser imaginada fora da sociedade humana”.
Neste parágrafo Arendt reforça sua teoria de que a ação é prerrogativa do homem, e só a ação depende inteiramente da constante presença de outros. Assim trazemos a importância deste trabalho coletivo para celebrar no dia 10 de setembro a lembrança de que trabalhamos por uma condição humana de extrema importância: o direito à vida.
O suicídio do ser humano contempla a vitória do sofrimento sobre a vida e a incompetência cruel da sociedade humana em proteger seus semelhantes.
Há mais de dez anos venho comentando sobre a complexidade do fenômeno do suicídio. E o conceito de complexidade deste evento merece ser melhor entendido. Cito isto porque vejo em vários comentários na rede internet como a questão da causalidade do suicídio traz equívocos na sua compreensão.
Outro dia seguindo na internet uma discussão sobre a questão do aumento da taxa de suicídio nos países em crise econômica no sul da Europa um comentarista de origem suiça relatava que: “as crises econômicas não podem ser uma causa de suicídio porque na Suiça não existe crise econômica e havia um aumento da taxa de suicídios”.
Esta é a ideia do pensamento linear, dualista, cartesiano que não consegue ver a interação de variáveis na compreensão de um fenômeno, principalmente quando este é extremamente complexo e, portanto, sua multicausalidade. No conceito de Edgard Morin, que adotamos para falar de complexidade, esta redução do pensamento e do método científico se apresenta nos processos de separação e redução dos fenômenos e consequente análises equivocadas.
Vários dos conceitos da teoria da complexidade como auto-organização, imprevisibilidade, imprecisão, correlação, autopoiese e outros ajudam a entender o fenômeno do suicídio e são essenciais para o desenvolvimento de ações de prevenção do suicídio.
Assim, pretendo nesta semana dar seguimento a este pensamento, assim como trazer outros autores que podem auxiliar a compreensão deste tema e estimular um debate nesta rede.

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